terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Montesa Brasil - Ibramoto







As motos Montesa (Espanholas) com larga tradição de andar muito bem na terra e enfrentar obstáculos sem maiores dificuldades se destacaram em todo o mundo em competições de Trial, Trail, Enduro e Motocross.
Eram tempos de opções muito limitadas no mercado brasileiro, ainda não havia sido lançado nenhum modelo para uso off road por nenhuma fábrica japonesa no Brasil e os modelos importados estavam desaparecendo devido ao alto custo de manutenção. 

A Ibramoto do Paraná resolveu investir em um lote de modelos H6 que estiveram disponíveis no mercado entre os anos 81 e 83. A fábrica da Montesa na Espanha estava com as vendas em baixa devido a concorrência das motos japonesas e facilitou as coisas para a nossa sorte. 


Nossa legislação exigia que houvesse nacionalização parcial e a Ibramoto iniciou a produção de algumas peças como tampas laterais, cabos, banco, suportes, guidões, e outras peças que pudessem ser localizadas no Brasil, mas não foi muito criteriosa quanto à qualidade dessas peças.

Eram motos muito fortes e com projetos específicos para uso pesado, os modelos que vieram em maior quantidade foram as Enduro 250 H6 e a Enduro 360 H6.  As H6 vinham com motor de 349cc ou 250cc muito semelhante aos que a fábrica fornecia para competições e suspensão dianteira e traseira hidropneumáticas que funcionavam sob pressão. 


Trouxeram também o modelo H7 com algumas diferenças da H6 como freio a disco na dianteira e ponteiras de escape mais leves acréscimos que ajudavam muito nas trilhas, mas também tinha seus defeitos, como não era um projeto para uso urbano sua altura, pneus e sistema elétrico não respondiam bem ao público que procurava uma urbana mais tranquila. 


Nessa época a própria fábrica lançou um kit de peças para adaptações ao uso urbano. Seu habitat eram as trilhas, lama e barrancos afinal era uma moto projetada por uma indústria que se especializou nas competições de off road. A maneabilidade nas trilhas também é bastaste fácil devido ao baixo peso da moto (114 kg) em relação à cilindrada, o que foi conseguido com a utilização de muitos componentes em plástico injetado, na versão original espanhola  Boa parte desses componentes são desmontáveis sem necessidade de qualquer ferramenta. 


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O motor nervoso ligado a uma transmissão curta, nas primeiras marchas conseguia produzir uma arrancada muito forte e tinha boa velocidade final perto de 140 km/h sendo abastecido por um carburador superdimensionado marca Bing de venturi 36 que causava um consumo equivalente a sua força, considere que nessa época as motos normalmente usavam uma gasolina de melhor qualidade (Azul). 


Vários discos de embreagem em banho de óleo com um reservatório exclusivo, separado do óleo do câmbio davam durabilidade e resistência às Montesas. As limitações causadas pela nacionalização forçada tornou a Montesa que já era um projeto rude uma moto quase que exclusiva para uso na terra. 




As Montesas vendidas no Brasil hoje são raras e dificilmente estão em condições de uso ou recuperação, moto extremamente agressiva e arisca era disputada pelos trilheiros apesar do preço salgado pedido por ela na época, para se comparar podia-se comprar um carro médio zero quilometro  com o valor dessas motos quando novas. Entre as H6 e H7 foram trazidas algumas poucas unidades da famosa Montesa “Cota 348” motos específicas para Trial que ganharam muitas competições internacionais. 




A fabricante Montesa-Espanha que nasceu em 1944 criada por Pedro Permanyer e Francisco Bulto (futuro proprietário da Bultaco) iniciaram fabricando equipamentos de gasogênio para veículos no período pós guerra  posteriormente mudando para a fabricação de motos e enfrentou muitos altos e baixos durante sua existência juntamente com a economia espanhola, até que em 1986 foi assumida  pela Honda e por esse motivo continua sendo uma marca forte nas competições fora de estrada, ao contrário de outros fabricantes espanhóis da mesma época como a Bultaco, Ossa, Derbi, etc. que sofreram concorrência de outras marcas mais fortes. 




Características técnicas  H6 360
Motor Monicilíndrico, 2 Tempos, refrigerado à ar Cilindro: em alumínio com camisa de aço inclinado para frente. Cilindrada: total de 349,6 cc, pistão Mahle de 83,4mm de diâmetro com 64mm de curso. Carburador: Bing de 36mm de venturi. Ignição: 6 Volts. Sistema de ignição eletrônica, Sistema de partida primária do motor à pedal. Lubrificação: Mistura direta de óleo 2 tempos no tanque. Capacidade de óleo do cárter de 0,3 litros. Filtro de ar: Espuma de poliuretano úmido com óleo 2 tempos.
Transmissão
Sistema de redução primária: Por engrenagem. Relação de redução primária: 71/22 (3,227). Sistema de redução secundária: Por corrente. Relação de redução secundária: 49/16 (3,062). Embreagem: Banhada a óleo. Tipo de caixa de marchas: Engrenamento constante, 6 marchas à frente. Sistema de operação: Operação com pedal do lado esquerdo.
Relação de transmissão: 1ª (Primeira): 2,400 2ª (Segunda): 1,615 3ª (Terceira): 1,200 4ª (Quarta): 0,941 5ª (Quinta): 0,789 6ª (Sexta): 0,650

Dimensões e pesos
Comprimento total: 2.130mm Largura total: 835mm -Altura do assento: 1.005mm Distância entre eixos: 1.435mm Vão livre mínimo: 330mm  Peso: Líquido (seco) de 111 kg
Pneus Dianteiro: 3,00 X 21"; pressão de 12,8/7.0 libras Traseiro: 450 X 18"; pressão de 21/16 libras
Suspensão Dianteira: Garfo telescópico Traseiro: Braço oscilante triangular
Amortecedores Dianteiro: Pneumático Marzocchi, regulável em pressão de ar a altura, (250mm de curso) Traseiro: Marzocchi, tipo óleo-pneumático, molas de tensão regulável (265mm de curso)
Instalação e equipamentos elétricos
Fonte de carga: Magneto Vela de ignição: B7ES (NGK) 





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